segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Desabafo de um colorado

Não, não se trata de um daqueles vídeos do You Tube. As palavras do técnico do Sport Club Internacional, Fernando Lúcio da Costa, mais conhecido como Fernandão, ontem, na coletiva após o empate em casa com o time do Sport Recife, são palavras de um colorado que sofre em ver seu time ofender o torcedor em campo. Pra quem não leu/ouviu a entrevista, confere aí: http://www.correiodopovo.com.br/Esportes/?Noticia=465062

As opiniões dos torcedores e dos jornalistas, pelo que vejo, estão divididas. Há quem aplauda Fernandão por chutar o balde, enquanto outros o criticam por fazer isto em público, expondo seus jogadores. Como colorado, vou dar minha singela opinião:

Desde a metade de 2009, o Inter vem oscilando entre momentos de heroísmo em campo e verdadeiros fiascos de planejamento e de rendimento técnico dos jogadores. Sim, porque o último grande time do Inter foi aquele que venceu a Sul-Americana de 2008 e contava com D'Alessandro, Alex e Nilmar na frente. Em 2009, com Taison como companheiro de ataque de Nilmar, o time voava em campo e só não venceu a Copa do Brasil porque a CBF fez o favor de nos desfalcar de Kléber e Nilmar no primeiro jogo da final. Aquela derrota, somada ao vice da Recopa uma semana depois, baixou a auto-estima do grupo colorado. Soma-se isso à equivocada venda de Nilmar no meio do Brasileirão e ao racha no grupo que derrubou Tite, o Inter foi vice do Brasileiro ficando apenas um ponto atrás do Flamengo.

Em 2010, vencemos a Libertadores. Sim, foi maravilhoso, foi heroico e tudo mais. Mas não esqueçamos dos jogos em que o time jogou muito mal, e assim foi seguindo no Brasileirão, com um péssimo planejamento da direção junto com Celso Roth, que resultou no fatídico terceiro lugar no Mundial. Outro erro da direção veio logo na sequência: mantiveram os medalhões e Celso Roth, mais desgastado do que nunca.

2011 foi a continuação da falta de planejamento e convicção. Trocaram de técnico no meio do Gauchão e da Libertadores. Siegmann bancou Falcão, ídolo eterno dos colorados. Luiggi era contra, mas ficou pianinho. Caímos na Libertadores para um destemido Peñarol que só foi parado na final pelo Santos de Neymar. No Gauchão, uma virada espetacular na final contra o Grêmio, dentro do Olímpico e o título merecido para um time desacreditado. Falcão foi o cara certo no momento errado. Sem contar com o aval de todos os dirigentes, se viu em maus lençóis, sem reforços e oscilando bons e maus momentos no primeiro turno do Brasileirão. Acabou injustamente demitido, um capítulo triste na história do Inter. Erro abismal da direção que sempre se vangloriou de ter um grande marketing. Poucos dias depois da demissão de Falcão, fomos disputar um torneio amistoso de luxo na Alemanha, contra times do porte de Barcelona, Bayern de Munique e Milan. E quem estava lá para treinar o Inter? O interino Osmar Loss.

Vencemos a Recopa, um jogo com Loss e outro com Dorival Jr no comando. O Inter seguiu sua rotina de bons e maus jogos, time sempre em transição, e ainda assim conseguimos uma vaguinha na Libertadores de 2012. Muita expectativa para este ano, já que era promessa de manutenção dos melhores jogadores do time, mais o importante acréscimo de Dagoberto pra parceiro de Damião.

Pois bem, 2012 vem sendo um dos anos mais estranhos da história do Inter. Trouxemos ainda jogadores como Diego Forlán, Juan, Dátolo e Rafael Moura. Mas pecamos na parte física. Posso estar falando bobagem, mas acho que o Inter teve mais lesões do que vitórias em 2012. Fora mais uma venda equivocada de Oscar, no meio do campeonato. Dorival caiu pouco antes do Inter receber reforços. Fernandão assumiu, dividindo opiniões.

Agora, com a continuidade da má campanha e das péssimas atuações, Fernandão chutou o balde. Mostrou o lado torcedor, de um cara que não nasceu colorado, mas assim como Abel Braga, Figueroa, D'Alessandro, entre outros, com o passar do tempo aprendeu a amar o Internacional. E sua indignação é a mesma de nós torcedores, que, incrédulos, assistem jogadores que já deram alegrias há pouco tempo atrás, fazerem um fiasco como o do primeiro tempo de ontem. Talvez seja mesmo necessário mexer no vestiário, botar certos jogadores pra esquentar o banco. Já foi feito antes e deu certo. Ou vocês esqueceram do D'Alessandro voltando depois de um tempo afastado, em 2009, veio voando em campo? Ou do Índio, que ano passado penou no banco por um tempo, em 2012 chegou fininho, jogando muito. Se esses jogadores souberem honrar seus salários, e ainda mais, a camisa que defendem, irão aceitar a verdade: tá na hora de decidir se é pra continuar na barca ou largar fora. Se é pra ficar um tempo de castigo pensando no que fez, usando aqui uma linguagem clássica e folclórica de escola infantil, que seja. Mas não podemos mais ver o time do Inter sendo representado por pessoas que não valorizam o torcedor.

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