Dia 12 de outubro, dia das crianças. Deixemos de lado qualquer análise sobre o capitalismo desta data (e de tantas outras) e falemos da essência do tema infância, e aqui aproveito o espaço para um depoimento pessoal.
Há algumas semanas eu já pensava em coisas para dizer sobre ser criança. Na Semana Farroupilha, aconteceram diversas atividades temáticas na Escola Municipal de Ensino Fundamental Duque de Caxias, onde sou professor, em Campo Bom. Em um dos dias, os alunos iam até o ginásio participar de brincadeiras folclóricas como pular corda, laçar a vaquinha, passa anel, amarelinha, bolita, elástico e cinco marias. Acompanhei algumas turmas nessas brincadeiras e foi impressionante ver inclusive aqueles alunos que já estão chegando na adolescência, brincando e se divertindo como crianças, que é o que realmente são. Mais tarde, levando uma turma de 2º ano para a sala de aula, tive um breve momento de flashback de infância que me marejou os olhos e deu nó na garganta quando um dos alunos veio me falar da expectativa pelo seu aniversário que estava por vir. Os descontraídos momentos de brincadeiras com os amigos voltaram à minha cabeça e ali bateu uma saudade muito boa de ser criança. Dizem muito por aí que a gente nunca está plenamente satisfeito, quando somos crianças queremos crescer logo, e quando adultos, sentimos saudade da infância. Não sei se é bem o meu caso, aproveitei muito bem minha infância, e quando tenho algum sentimento saudosista, é um sentimento bom de lembrar que cada segundo daquela fase foi apreciado como deve ser.
Nesta semana, fui para a mesma escola na terça, mas não para dar aula. Como parte das comemorações pela Semana da Criança, levei a banda Julio Igrejas, da qual sou baterista, para fazer um show para os alunos e todos os funcionários da escola. Na verdade, foram dois shows, um de manhã e outro de tarde.
Era a estreia dos novos integrantes, o baixista Luan e o guitarrista Giba. Tivemos alguns contratempos com a aparelhagem, o que adicionou pitadas de nervosismo, drama e suor na nossa jornada. Felizmente, tudo foi resolvido e, por volta das 10h da manhã, o Satã (juro que tentamos de tudo para só chamá-lo apenas de Christian na escola hehehe) avisou a gurizada que poderiam dançar, era pra curtir o show mesmo. Então a Julio Igrejas começou o show com a música de apresentação, "Ska Punk Detoná", na qual inserimos no meio um trecho do hit popular do ano "Eu Quero Tchu, Eu Quero Tchá", da dupla João Lucas & Marcelo - a senha pra galera levantar, e aí a coisa começou a ficar beeeem divertida, como se vê na foto abaixo.
Na sequência, vieram "Apaixonado por Você", "Não Consigo Te Encontrar" e "Antes Tarde do que Nunca". Em "A Namorada", cantamos o clássico infantil "Borboletinha" na introdução. A essa altura, o show já era um dos melhores que já fizemos. E veio o momento seguinte. Chamei meus alunos do Coral da escola para participar de "Música de Amor", realizando uma coreografia que costuma ser feita nos shows da banda.
Depois desse grande momento, tocamos "Vou Deixar Você", e só não emendamos com "O Que Vc" como de costume porque o ampli do Satã desligou, provavelmente por algum pisão de algum aluno nos fios, coisas de show de punk rock mesmo. Amplificador prontamente reestabelecido, tocamos "O Que Vc" e aí o bicho pegou mesmo, os alunos dançaram como se a vida na Terra dependesse daquilo. E dá-lhe "Tudo Que Ela Disse" pra galera formar o trenzinho junto com os professores. Pra fechar o set list, mandamos um cover do Tim Maia que os alunos já conheciam e cantaram junto, "Não Quero Dinheiro". A galera quis mais, então improvisamos mais três músicas da banda: "O Problema Não é Meu", "O Que Tu Quer" e "Às Vezes". Emocionado, fui ao microfone agradecer e nisso já vieram vários alunos nos abraçar. Um dos momentos mais incríveis da minha vida.
O show da tarde começou um pouco mais tímido, mas aos poucos engrenou de uma forma que é realmente impossível dizer qual dos shows foi mais legal. O repertório foi o mesmo. Em "Música de Amor", o Coral, dessa vez mais reforçado, participou novamente.
O bis do show da tarde foi maior, tamanha a empolgação do público e a insistência pra que tocássemos mais. Até músicas mais hardcore tocamos e os alunos se empolgaram demais. Na ordem: "O Problema Não é Meu", "O Que Tu Quer", "Não Gosto", "Cuida da Tua Vida", "Olhos Tristes", "Homem Video Cassete Man" e "Eu Vou Casar". Pra ficar na nossa memória e na memória das crianças, com certeza. Até uma longa sessão de autógrafos rolou depois.
Até a Desireé, nossa amiga que fez a parceria de ir junto pra bater fotos e filmar, também deu autógrafos.
Ao final de tudo, esse era o nosso estado pós-show. Exaustos, mas extremamente felizes.
Enfim, foi um momento especial de nossas vidas em que fomos todos crianças, nos divertirmos como tal, e o brilho nos olhos dos alunos é algo que eu vou levar comigo pro resto da vida. São momentos como esse que me fazem ter ainda mais certeza de que escolhi o caminho certo sendo professor e músico ao mesmo tempo.
Pra finalizar, vai um vídeo da história "Ser Criança", protagonizada pelo personagem Frank, da Turma do Penadinho. Uma das histórias que eu mais curtia ler - até devo ter ainda o gibi por aqui, só não sei aonde. Pra ser criança não precisa ter idade, o coração e a entrega já bastam. Um viva para as crianças.
http://www.youtube.com/watch?v=caUpDIFNE-M&feature=related
Abraços a todos,
Thalisustenido
Divagando com Thalisustenido
Thalis Neckel Miguel é músico e professor. Formado no curso de Licenciatura em Música do Centro Universitário Metodista do IPA em 2009 e pós-graduado no curso de Música: Ensino e Expressão, da Feevale, em 2011. É baterista das bandas Julio Igrejas, Pop Rock Jukebox, Chespiritos, Alcalóides, Pop Rock All-Stars e Larapia. Atualmente dá aula no projeto social Abrindo Horizontes (em Alvorada) e nas escolas Estação Musical (em Porto Alegre) e Duque de Caxias (em Campo Bom).
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Desabafo de um colorado
Não, não se trata de um daqueles vídeos do You Tube. As palavras do técnico do Sport Club Internacional, Fernando Lúcio da Costa, mais conhecido como Fernandão, ontem, na coletiva após o empate em casa com o time do Sport Recife, são palavras de um colorado que sofre em ver seu time ofender o torcedor em campo. Pra quem não leu/ouviu a entrevista, confere aí: http://www.correiodopovo.com.br/Esportes/?Noticia=465062
As opiniões dos torcedores e dos jornalistas, pelo que vejo, estão divididas. Há quem aplauda Fernandão por chutar o balde, enquanto outros o criticam por fazer isto em público, expondo seus jogadores. Como colorado, vou dar minha singela opinião:
Desde a metade de 2009, o Inter vem oscilando entre momentos de heroísmo em campo e verdadeiros fiascos de planejamento e de rendimento técnico dos jogadores. Sim, porque o último grande time do Inter foi aquele que venceu a Sul-Americana de 2008 e contava com D'Alessandro, Alex e Nilmar na frente. Em 2009, com Taison como companheiro de ataque de Nilmar, o time voava em campo e só não venceu a Copa do Brasil porque a CBF fez o favor de nos desfalcar de Kléber e Nilmar no primeiro jogo da final. Aquela derrota, somada ao vice da Recopa uma semana depois, baixou a auto-estima do grupo colorado. Soma-se isso à equivocada venda de Nilmar no meio do Brasileirão e ao racha no grupo que derrubou Tite, o Inter foi vice do Brasileiro ficando apenas um ponto atrás do Flamengo.
Em 2010, vencemos a Libertadores. Sim, foi maravilhoso, foi heroico e tudo mais. Mas não esqueçamos dos jogos em que o time jogou muito mal, e assim foi seguindo no Brasileirão, com um péssimo planejamento da direção junto com Celso Roth, que resultou no fatídico terceiro lugar no Mundial. Outro erro da direção veio logo na sequência: mantiveram os medalhões e Celso Roth, mais desgastado do que nunca.
2011 foi a continuação da falta de planejamento e convicção. Trocaram de técnico no meio do Gauchão e da Libertadores. Siegmann bancou Falcão, ídolo eterno dos colorados. Luiggi era contra, mas ficou pianinho. Caímos na Libertadores para um destemido Peñarol que só foi parado na final pelo Santos de Neymar. No Gauchão, uma virada espetacular na final contra o Grêmio, dentro do Olímpico e o título merecido para um time desacreditado. Falcão foi o cara certo no momento errado. Sem contar com o aval de todos os dirigentes, se viu em maus lençóis, sem reforços e oscilando bons e maus momentos no primeiro turno do Brasileirão. Acabou injustamente demitido, um capítulo triste na história do Inter. Erro abismal da direção que sempre se vangloriou de ter um grande marketing. Poucos dias depois da demissão de Falcão, fomos disputar um torneio amistoso de luxo na Alemanha, contra times do porte de Barcelona, Bayern de Munique e Milan. E quem estava lá para treinar o Inter? O interino Osmar Loss.
Vencemos a Recopa, um jogo com Loss e outro com Dorival Jr no comando. O Inter seguiu sua rotina de bons e maus jogos, time sempre em transição, e ainda assim conseguimos uma vaguinha na Libertadores de 2012. Muita expectativa para este ano, já que era promessa de manutenção dos melhores jogadores do time, mais o importante acréscimo de Dagoberto pra parceiro de Damião.
Pois bem, 2012 vem sendo um dos anos mais estranhos da história do Inter. Trouxemos ainda jogadores como Diego Forlán, Juan, Dátolo e Rafael Moura. Mas pecamos na parte física. Posso estar falando bobagem, mas acho que o Inter teve mais lesões do que vitórias em 2012. Fora mais uma venda equivocada de Oscar, no meio do campeonato. Dorival caiu pouco antes do Inter receber reforços. Fernandão assumiu, dividindo opiniões.
Agora, com a continuidade da má campanha e das péssimas atuações, Fernandão chutou o balde. Mostrou o lado torcedor, de um cara que não nasceu colorado, mas assim como Abel Braga, Figueroa, D'Alessandro, entre outros, com o passar do tempo aprendeu a amar o Internacional. E sua indignação é a mesma de nós torcedores, que, incrédulos, assistem jogadores que já deram alegrias há pouco tempo atrás, fazerem um fiasco como o do primeiro tempo de ontem. Talvez seja mesmo necessário mexer no vestiário, botar certos jogadores pra esquentar o banco. Já foi feito antes e deu certo. Ou vocês esqueceram do D'Alessandro voltando depois de um tempo afastado, em 2009, veio voando em campo? Ou do Índio, que ano passado penou no banco por um tempo, em 2012 chegou fininho, jogando muito. Se esses jogadores souberem honrar seus salários, e ainda mais, a camisa que defendem, irão aceitar a verdade: tá na hora de decidir se é pra continuar na barca ou largar fora. Se é pra ficar um tempo de castigo pensando no que fez, usando aqui uma linguagem clássica e folclórica de escola infantil, que seja. Mas não podemos mais ver o time do Inter sendo representado por pessoas que não valorizam o torcedor.
As opiniões dos torcedores e dos jornalistas, pelo que vejo, estão divididas. Há quem aplauda Fernandão por chutar o balde, enquanto outros o criticam por fazer isto em público, expondo seus jogadores. Como colorado, vou dar minha singela opinião:
Desde a metade de 2009, o Inter vem oscilando entre momentos de heroísmo em campo e verdadeiros fiascos de planejamento e de rendimento técnico dos jogadores. Sim, porque o último grande time do Inter foi aquele que venceu a Sul-Americana de 2008 e contava com D'Alessandro, Alex e Nilmar na frente. Em 2009, com Taison como companheiro de ataque de Nilmar, o time voava em campo e só não venceu a Copa do Brasil porque a CBF fez o favor de nos desfalcar de Kléber e Nilmar no primeiro jogo da final. Aquela derrota, somada ao vice da Recopa uma semana depois, baixou a auto-estima do grupo colorado. Soma-se isso à equivocada venda de Nilmar no meio do Brasileirão e ao racha no grupo que derrubou Tite, o Inter foi vice do Brasileiro ficando apenas um ponto atrás do Flamengo.
Em 2010, vencemos a Libertadores. Sim, foi maravilhoso, foi heroico e tudo mais. Mas não esqueçamos dos jogos em que o time jogou muito mal, e assim foi seguindo no Brasileirão, com um péssimo planejamento da direção junto com Celso Roth, que resultou no fatídico terceiro lugar no Mundial. Outro erro da direção veio logo na sequência: mantiveram os medalhões e Celso Roth, mais desgastado do que nunca.
2011 foi a continuação da falta de planejamento e convicção. Trocaram de técnico no meio do Gauchão e da Libertadores. Siegmann bancou Falcão, ídolo eterno dos colorados. Luiggi era contra, mas ficou pianinho. Caímos na Libertadores para um destemido Peñarol que só foi parado na final pelo Santos de Neymar. No Gauchão, uma virada espetacular na final contra o Grêmio, dentro do Olímpico e o título merecido para um time desacreditado. Falcão foi o cara certo no momento errado. Sem contar com o aval de todos os dirigentes, se viu em maus lençóis, sem reforços e oscilando bons e maus momentos no primeiro turno do Brasileirão. Acabou injustamente demitido, um capítulo triste na história do Inter. Erro abismal da direção que sempre se vangloriou de ter um grande marketing. Poucos dias depois da demissão de Falcão, fomos disputar um torneio amistoso de luxo na Alemanha, contra times do porte de Barcelona, Bayern de Munique e Milan. E quem estava lá para treinar o Inter? O interino Osmar Loss.
Vencemos a Recopa, um jogo com Loss e outro com Dorival Jr no comando. O Inter seguiu sua rotina de bons e maus jogos, time sempre em transição, e ainda assim conseguimos uma vaguinha na Libertadores de 2012. Muita expectativa para este ano, já que era promessa de manutenção dos melhores jogadores do time, mais o importante acréscimo de Dagoberto pra parceiro de Damião.
Pois bem, 2012 vem sendo um dos anos mais estranhos da história do Inter. Trouxemos ainda jogadores como Diego Forlán, Juan, Dátolo e Rafael Moura. Mas pecamos na parte física. Posso estar falando bobagem, mas acho que o Inter teve mais lesões do que vitórias em 2012. Fora mais uma venda equivocada de Oscar, no meio do campeonato. Dorival caiu pouco antes do Inter receber reforços. Fernandão assumiu, dividindo opiniões.
Agora, com a continuidade da má campanha e das péssimas atuações, Fernandão chutou o balde. Mostrou o lado torcedor, de um cara que não nasceu colorado, mas assim como Abel Braga, Figueroa, D'Alessandro, entre outros, com o passar do tempo aprendeu a amar o Internacional. E sua indignação é a mesma de nós torcedores, que, incrédulos, assistem jogadores que já deram alegrias há pouco tempo atrás, fazerem um fiasco como o do primeiro tempo de ontem. Talvez seja mesmo necessário mexer no vestiário, botar certos jogadores pra esquentar o banco. Já foi feito antes e deu certo. Ou vocês esqueceram do D'Alessandro voltando depois de um tempo afastado, em 2009, veio voando em campo? Ou do Índio, que ano passado penou no banco por um tempo, em 2012 chegou fininho, jogando muito. Se esses jogadores souberem honrar seus salários, e ainda mais, a camisa que defendem, irão aceitar a verdade: tá na hora de decidir se é pra continuar na barca ou largar fora. Se é pra ficar um tempo de castigo pensando no que fez, usando aqui uma linguagem clássica e folclórica de escola infantil, que seja. Mas não podemos mais ver o time do Inter sendo representado por pessoas que não valorizam o torcedor.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Santa Tartaruga!
Ééééé, cambada, mais de um ano se passou sem eu me manifestar por aqui. É complicado manter atualizado um blog, pelo menos pra mim. Mas enfim, vamos tentar se atualizar resumindo um pouco as novidades desde a última postagem.
- Começamos um novo projeto na rádio Pop Rock: o Pop Rock Jukebox, que faz seus shows a partir de escolhas do público de uma lista de 70 músicas sugeridas pela banda, que é formada pelos comunicadores Bivis (guitarra), Oliver Cabeludo (teclado e backing vocal), além do Guto Herscovitz no baixo, o Rafa Kubbe no vocal e este que vos digita na bateria e backing vocal;
- Entrei pra Julio Igrejas, banda clássica de Porto Alegre que toca ska-punk: http://www.myspace.com/julioigrejas - desde maio de 2011 sou o baterista da banda, que recentemente trocou de guitarrista e baixista (saíram o Daniel Campos e o Igor Pires, que deram lugar ao Gilberto Junior e o Luan Sanchotene) - o vocalista e guitarrista ainda é o mesmo, o fundador Christian Satã;
- Passei no concurso público do Munícipio de Campo Bom e desde agosto de 2011 sou professor de Música na Escola Municipal de Ensino Fundamental Duque de Caxias;
- O Projeto Abrindo Horizontes mudou de sede em 2012. Saímos da Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, e estamos atendendo agora no Bairro Vila Americana, em Alvorada;
- Concluí a Pós-Graduação em Música: Ensino e Expressão, na Feevale, depois de ter aprovada na banca a minha monografia, que tratou do tema "Musicalização de bebês: uma investigação em diferentes contextos".
E cá estamos, em setembro de 2012. O meu Internacional foi bi-campeão gaúcho, bi-campeão da Recopa, mas passa por um momento um tanto delicado, em que uma transição se faz necessária. Há pouco tempo assisti um dos mais emocionantes shows da minha vida: Senhor Barriga, no Opinião. E o próximo domingo reserva uma nova emoção: irei rever o show de CJ Ramone, dessa vez em Estância Velha. E vamo que vamo!
Vou procurar atualizar com mais frequência aqui, tem várias ideias que estou a fim de compartilhar neste espaço. E não ficar em ritmo de tartarurga, como nosso amigo Michelangelo:
http://www.youtube.com/watch?v=BVTrLVwI7ps
Abraços a todos!
- Começamos um novo projeto na rádio Pop Rock: o Pop Rock Jukebox, que faz seus shows a partir de escolhas do público de uma lista de 70 músicas sugeridas pela banda, que é formada pelos comunicadores Bivis (guitarra), Oliver Cabeludo (teclado e backing vocal), além do Guto Herscovitz no baixo, o Rafa Kubbe no vocal e este que vos digita na bateria e backing vocal;
- Entrei pra Julio Igrejas, banda clássica de Porto Alegre que toca ska-punk: http://www.myspace.com/julioigrejas - desde maio de 2011 sou o baterista da banda, que recentemente trocou de guitarrista e baixista (saíram o Daniel Campos e o Igor Pires, que deram lugar ao Gilberto Junior e o Luan Sanchotene) - o vocalista e guitarrista ainda é o mesmo, o fundador Christian Satã;
- Passei no concurso público do Munícipio de Campo Bom e desde agosto de 2011 sou professor de Música na Escola Municipal de Ensino Fundamental Duque de Caxias;
- O Projeto Abrindo Horizontes mudou de sede em 2012. Saímos da Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, e estamos atendendo agora no Bairro Vila Americana, em Alvorada;
- Concluí a Pós-Graduação em Música: Ensino e Expressão, na Feevale, depois de ter aprovada na banca a minha monografia, que tratou do tema "Musicalização de bebês: uma investigação em diferentes contextos".
E cá estamos, em setembro de 2012. O meu Internacional foi bi-campeão gaúcho, bi-campeão da Recopa, mas passa por um momento um tanto delicado, em que uma transição se faz necessária. Há pouco tempo assisti um dos mais emocionantes shows da minha vida: Senhor Barriga, no Opinião. E o próximo domingo reserva uma nova emoção: irei rever o show de CJ Ramone, dessa vez em Estância Velha. E vamo que vamo!
Vou procurar atualizar com mais frequência aqui, tem várias ideias que estou a fim de compartilhar neste espaço. E não ficar em ritmo de tartarurga, como nosso amigo Michelangelo:
http://www.youtube.com/watch?v=BVTrLVwI7ps
Abraços a todos!
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Tenha pena de mim
Após mais de um mês sem atualizar - tempo demais pra um blog, um milhão de coisas acontecem durante esse tempo para ser comentadas -, cá estou de volta. Mas o pouco tempo disponível pra escrever para o blog (2011 é ano de TCC pra mim, tá sendo bastante puxado, e a tendência é ficar ainda mais) poderá fazer com que eu escreva com menos frequência aqui. Ou não, também, vai saber. Por enquanto, fiquem com este texto que escrevi para a disciplina de Percepção e Formas de Registro Musical, da professora Jusamara Souza.
Quando de repente para a minha surpresa
Vejo na minha frente aquela beleza
Quando de repente para a minha surpresa
Vejo na minha frente aquela beleza
Tenha pena de mim
Por Thalis Neckel Miguel
Eu sou um cara que não tem problema com nostalgia. Guardo minhas recordações de diversos momentos da minha vida – infância, adolescência, primeiros anos de maioridade – na cabeça, em fotos, textos, livros, músicas, programas de TV ou qualquer bobagem. Mas há uma coisa da qual não abro mão desde que me conheço por gente: se estiver passando Chaves ou Chapolin na televisão, paro tudo que estiver fazendo e sento (ou deito) no sofá para assistir.
Minha infância foi marcada pela arte do Chespirito e suas histórias, que iam de temas tão comuns como duas crianças jogando bola no pátio, passando por aventuras bizarras de um super-herói atrapalhado e momentos instigantes sobre a personalidade e a situação de vida de cada personagem que renderiam debates acalorados, seja no meio acadêmico, em um programa de televisão ou numa roda de amigos no bar.
Conheci a Graforréia Xilarmônica da mesma forma como muitas outras pessoas: pelas músicas mais famosas, como “Amigo Punk”, “Nunca Diga”, “Você Foi Embora” e “Eu” (primeiro na versão do Pato Fu, depois dos graforréicos). Sou um grande admirador da música deles, paga-pau mesmo, no sentido positivo, gosto muito das músicas, das letras e do clima descontraído que a banda passa, sem soar muito vulgar e nem muito pomposo.
A primeira vez que escutei a música “Chapolin” foi num show da Graforréia, não me lembro o ano, mas foi no Opinião. Identifiquei-me imediatamente com a música. Lembrei de quando estava em casa entediado, ligava a televisão e de repente tava passando Chapolin no SBT. Quem é fã, sabe. Durante todos esses anos, Silvio Santos tirou e pôs de volta no ar Chaves e Chapolin milhares de vezes. E, frequentemente, altera os horários de exibição do programa sem prévio aviso. Então, era normal tu ligar a TV num dia às 13:15 e estar passando as aventuras do vermelhinho, e no outro dia passar Blossom ou Três é Demais no seu lugar. E lá pelas 18:30, tu passava no SBT e tava dando Chaves. Sempre assim. Os fãs do Chespirito sempre tiveram que fazer uma certa vigília pra saber que hora passaria o programa, sendo que nem sempre passavam os dois. Recordo de várias vezes ligar ou receber uma ligação do meu amigo Davi Pacote avisando “ó, vai começar um inédito do Chapo agora”. E depois ligar de novo “bah, genial esse episódio!”. Às vezes o seu Abravanel deixa o Chaves no ar e não passa o Chapolin, ou vice-versa. Com o advento da internet, Orkut, MSN, blogs e diversos sites sobre o seriado, a comunicação entre os admiradores ficou mais fácil.
Tinha uma época de ouro nos anos 90, que passava na hora do almoço, em sequência: Blossom, Chaves e Chapolin. Obviamente eu queria ver todos, mas vira e mexe meu pai não deixava, pois queria ver o Jornal do Almoço e/ou o Globo Esporte, justo naqueles tempos em que o nosso Internacional não estava em momento muito bom. Mesmo sendo coloradaço, não entendia porque ele queria ver notícias ruins do nosso time. Quando ele abria mão, assistíamos todos juntos ao SBT: meu pai, minha mãe, eu e meu irmão mais velho. E todo mundo dava risada junto, principalmente do Joey Russo (“uou!”) e das frases clássicas do Chapolin (“sim, eu vou”, “todos os meus movimentos são friamente calculados”). Ao ouvir os versos “Tenha pena de mim / Só quero ver o Chapolin”, pensei: “bah, os caras devem passado pela mesma situação que eu”.
Adoro o Chaves, mas o Chapolin é ainda mais especial pra mim, por três motivos:
1 – Cada episódio é uma história diferente com personagens diferentes;
2 – O fato de o SBT ter tirado o programa muitas vezes do ar fez com que a saudade fosse maior – Chaves é aquela coisa: tu podes ficar um tempão sem ver, mas sabe que tá passando todo dia, e provavelmente quando tu fores ver, saberás todas as falas de cor;
3 – Ele é o Chapolin Colorado! Genial!
Os riffs de “Chapolin” são absurdamente maravilhosos. Alexandre Birck, Carlo Pianta e Frank Jorge são extremamente competentes no que fazem. A Graforréia tem uma coisa muito maluca que durante algum tempo eu não conseguia entender como eles faziam aquilo, e um dia, como aluno do Pianta no IPA, em uma aula de Harmonia, tive a oportunidade de perguntar sobre os diversos momentos nos shows e nos discos deles, em que a massa sonora parecia extremamente bagunçada e ao mesmo tempo havia uma coesão ali, dava pra ver que os três são entrosados, apesar de tudo ali parecer muito caótico. Ele me respondeu que nesses momentos, ele estava solando a guitarra dele em uma escala, o Frank fazia suas linhas de baixo em outra escala, e o Alemão fazia na bateria aquilo que lhe dava na telha. E ainda assim, todos ali sabiam muito bem o que estavam fazendo.
É mais ou menos o que acontece na maioria das letras deles, estas compostas quase sempre pela parceria Frank Jorge / Marcelo Birck. A história começa num assunto, daqui a pouco vai do nada pra outra coisa, e lá pelas tantas tudo pode acontecer: a junção dos dois assuntos, a volta pra um deles ou o surgimento de um terceiro assunto. É incrível como eles conseguem preencher uma música com palavras tão inusitadas, como em “Iluminados Monstros do Amor” (“Mosquitos verdes vem dizer amém / Drosófilas caladas pelo sol / Não sabem nem dançar o charleston / Vivem cansadas a voar”), e em uma música como “Chapolin” cantar uma rima tão simples, mas tão bacana: “Quando de repente para minha surpresa / Vejo na minha frente aquela beleza”.
Agora o Cartoon Network passa Chaves e Chapolin em sequencia, à noite. Sempre que posso, assisto. E se alguém disser pra mudar de canal ou algo do tipo, já tenho a resposta na ponta da língua: “Tenha pena de mim, só quero ver o Chapolin!”
Graforréia Xilarmônica
“Chapolin”
Composição: Marcelo Birck / Frank Jorge
Disco: Álbum Homem Branco, 1998
Estava em casa sem ter o que fazer
Liguei o televisor
Liguei o televisor
Canal 5 SBT
Quando de repente para a minha surpresa
Vejo na minha frente aquela beleza
Tenha pena de mim
Só quero ver o Chapolin
Tenha pena de mim
Só quero ver o Chapolin
Só quero ver o Chapolin
Tenha pena de mim
Só quero ver o Chapolin
Não contavam
Com a minha astúcia
Foi sem querer querendo
Não priemos cânico
Com a minha astúcia
Foi sem querer querendo
Não priemos cânico
Tenha pena de mim
Só quero ver o Rin-Tin-Tin
Tenha pena de mim
Só quero ver o Rin-Tin-Tin
Só quero ver o Rin-Tin-Tin
Tenha pena de mim
Só quero ver o Rin-Tin-Tin
Cabo Rusty, Chefe O'Hara
Almirante Nelson, Comissário Gordon
Dr. Smith, robô, robô, robô
Sargento Garcia, Dom Diego De La Vega
Almirante Nelson, Comissário Gordon
Dr. Smith, robô, robô, robô
Sargento Garcia, Dom Diego De La Vega
Mas eu estava em casa sem ter o que fazer
Liguei o televisor
Liguei o televisor
RBS TV
Quando de repente para a minha surpresa
Vejo na minha frente aquela beleza
Vídeo ao vivo da música "Chapolin": http://www.youtube.com/watch?v=O27CQXKMlvU
Uma das milhares de cenas geniais do grande Chespirito, interpretando o heroi Chapolin Colorado: http://www.youtube.com/watch?v=PFeC5AG0dfk
Feito o carreto, gurizada! Até a próxima!
Abraços!
Thalisustenido
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
ALCALÓIDES!
Pois bem, o primeiro post deste blog foi sobre os Alcalóides. Banda que existe desde 1998, mudou de formação algumas vezes, toco nela desde 2005, parará parará aquela história já contada algumas vezes na vida. Daí que, depois de dois anos sem fazer um show sequer, a banda vai tocar de novo hoje à noite, no Garagem Hermética.
Novembro de 2008: Os Alcalóides, então formados por Julia Barth (vocal), Gustavo Herscovitz (guitarra e voz), André Van Krause (baixo e voz), Thalis Miguel (bateria) e Kellen Z (guitarra e voz), fizeram um baita show no festival Gig Rock, tocando antes da Mallu Magalhães. Era ano de comemoração aos 10 anos de banda, fizemos um monte de shows legais e estávamos tocando várias músicas novas que se misturavam às antigas no repertório como elementos químicos em uma experiência maluca, bem coisa alcalóide mesmo. Infelizmente depois disso, as coisas não se seguiram como o esperado, obviamente não cabe a ninguém apontar quem ou o quê foi culpado pelo recesso da banda, até porque foi algo que aconteceu naturalmente, não houve culpa. Quis o destino que mais uma vez, os Alcalóides entrassem em estado de hibernação.
Em 2009, a banda não fez nada, e cada um seguiu seu caminho. Em 2010, como já contei no post sobre a banda, houve um reencontro muito bacana no aniversário do Guto, reunindo toda a formação original, além de integrantes que chegaram depois na banda, como o Tatata e eu, além do Vico, irmão do Ramiro que já tocou guitarra num show uma vez - o único show que o Guto não pôde fazer, em 2003 ou 2004 se não me engano. 4 horas de ensaio, muita bagunça e diversão com quase todas as músicas da banda tocadas além de outras covers resgatadas do baú alcalóide. O Ramiro meteu a pilha de fazermos um show no fim do ano, pra comemorar os 12 anos de banda. Ficou a ideia, engavetada a princípio, mas pronta pra sair do papel a qualquer momento, só esperando algum integrante se manifestar. Aproveitei meu aniversário como motivo para reunir o povo outra vez: desta vez foi um ensaio menor, 2 horas, tendo na formação os originais Julia, Guto, André e Ramiro e eu na bateria. Beeeem afudê. Novamente, veio à tona o assunto do show, e desta vez o negócio foi adiante.
Muita luta para conseguir reunir o pessoal neste fim de ano caótico, em que todo mundo tá atolado de trabalho. Mas conseguimos. A formação do show que acontecerá dentro de algumas horas é inédita, tem até um integrante que nunca havia tocado nos Alcalóides antes. Já vou adiantando que o negócio vai ser pegado, espero que todos se divirtam no show. Vai ser uma festa do Ohh La La, bar extinto que ficava na Osvaldo Aranha e foi reduto de várias festas alucinantes - inclusive tocamos em algumas noites por lá, e foi sempre muito divertido. A Tatu d'Cove também vai tocar. Apareçam que vai ser ótimo.
A Bomba: http://www.youtube.com/watch?v=F6TxJ3T1bAo
Abraços a todos.
Thalisustenido
Novembro de 2008: Os Alcalóides, então formados por Julia Barth (vocal), Gustavo Herscovitz (guitarra e voz), André Van Krause (baixo e voz), Thalis Miguel (bateria) e Kellen Z (guitarra e voz), fizeram um baita show no festival Gig Rock, tocando antes da Mallu Magalhães. Era ano de comemoração aos 10 anos de banda, fizemos um monte de shows legais e estávamos tocando várias músicas novas que se misturavam às antigas no repertório como elementos químicos em uma experiência maluca, bem coisa alcalóide mesmo. Infelizmente depois disso, as coisas não se seguiram como o esperado, obviamente não cabe a ninguém apontar quem ou o quê foi culpado pelo recesso da banda, até porque foi algo que aconteceu naturalmente, não houve culpa. Quis o destino que mais uma vez, os Alcalóides entrassem em estado de hibernação.
Em 2009, a banda não fez nada, e cada um seguiu seu caminho. Em 2010, como já contei no post sobre a banda, houve um reencontro muito bacana no aniversário do Guto, reunindo toda a formação original, além de integrantes que chegaram depois na banda, como o Tatata e eu, além do Vico, irmão do Ramiro que já tocou guitarra num show uma vez - o único show que o Guto não pôde fazer, em 2003 ou 2004 se não me engano. 4 horas de ensaio, muita bagunça e diversão com quase todas as músicas da banda tocadas além de outras covers resgatadas do baú alcalóide. O Ramiro meteu a pilha de fazermos um show no fim do ano, pra comemorar os 12 anos de banda. Ficou a ideia, engavetada a princípio, mas pronta pra sair do papel a qualquer momento, só esperando algum integrante se manifestar. Aproveitei meu aniversário como motivo para reunir o povo outra vez: desta vez foi um ensaio menor, 2 horas, tendo na formação os originais Julia, Guto, André e Ramiro e eu na bateria. Beeeem afudê. Novamente, veio à tona o assunto do show, e desta vez o negócio foi adiante.
Muita luta para conseguir reunir o pessoal neste fim de ano caótico, em que todo mundo tá atolado de trabalho. Mas conseguimos. A formação do show que acontecerá dentro de algumas horas é inédita, tem até um integrante que nunca havia tocado nos Alcalóides antes. Já vou adiantando que o negócio vai ser pegado, espero que todos se divirtam no show. Vai ser uma festa do Ohh La La, bar extinto que ficava na Osvaldo Aranha e foi reduto de várias festas alucinantes - inclusive tocamos em algumas noites por lá, e foi sempre muito divertido. A Tatu d'Cove também vai tocar. Apareçam que vai ser ótimo.
A Bomba: http://www.youtube.com/watch?v=F6TxJ3T1bAo
Abraços a todos.
Thalisustenido
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Um show incrível para cada mês – parte II
NOVEMBRO DE 2010 – PAUL MCCARTNEY
Tinha pensado em fazer um post único sobre um grande show para cada mês, mas mudei de idéia. Além de ficar muito comprido, há que se destacar que beatle é beatle. O show do Paul McCartney com certeza merece um destaque exclusivo aqui. O show aconteceu no começo do mês, mas até hoje ainda fico viajando, lembrando de cenas do concerto, as falas do Paul, as músicas que ele tocou, a grande performance da banda, os perrengues que a Milinha e eu passamos até entrar no estádio, etc.
Pretendia sair de casa pro Beira-Rio de manhã. Porém, o calor extremo que fazia em Porto Alegre naquele domingo, 7 de novembro de 2010, do qual fui avisado por uma ligação do meu amigo Bruno Vargas, o Puff, (baita) baixista do Quarto Sensorial, fez com que déssemos um tempo antes de sair.
Que honra receber um beatle no estádio do meu time! Ao chegar ao Gigante, fiquei impressionado com a quantidade de gente que se amontoava em filas quilométricas e totalmente desorganizadas. Aliás, pra mim, foi o único ponto negativo em relação à organização do evento. As vendas dos ingressos foram tranqüilas, eu já havia comprado pela internet no mesmo dia que começaram as vendas, e pra retirar os ingressos no Gigantinho dias depois, também foi tudo relax. Mas, chegar na hora e não saber direito aonde tinha que ir para entrar, não haver nenhuma divisão, nenhuma placa, e quase nenhum funcionário designado para orientar as pessoas, foi uma erro crasso da produção. Rolou muito furo nas filas, só não houve nenhuma confusão grave, acredito eu, pela variedade da faixa etária do público. Tinha de tudo: gurizada nova, bebê no colo da mãe, adultos de vinte, trinta e poucos anos, quarentões, cinquentões, sessentões, enfim: desde aqueles que acompanharam a trajetória dos Beatles a partir do início da banda até quem descobriu a banda recentemente, por mídias que mantém o legado dos Beatles, como o espetáculo “Love” do Cirque Du Soleil, o filme “Across The Universe” ou o jogo de vídeo-game “Beatles Rock Band” – isso sem contar rádio, TV, internet, enfim: é impossível alguém não conhecer uma música sequer dos Beatles hoje em dia.
Depois de algum tempo na fila que dava volta no Gigantinho, conseguimos enfim subir a rampa 9, em direção à arquibancada superior do Beira-Rio. Sim, compramos os ingressos mais baratos. E vou dizer, não me arrependi. Tanto eu quanto a Milinha, temos estatura média-baixa e sempre que temos que ver um show na pista, em pé, é um sofrimento. Na arquibancada superior, até veríamos Paul mais de longe, mas pelo menos iríamos VÊ-LO! Hehehe
Não rolou a abertura com Kleiton e Kledir como o esperado. Disseram que foi por problemas técnicos que impediram que se montasse o palco deles sem interferir na estrutura do Paul. Pena. Teria sido bacana. Ao invés disso, botaram um DJ, um guitarrista e um saxofonista da noite porto-alegrense na fogueira. Não sou de vaiar banda de abertura, acho uma falta de respeito e até inveja por parte de quem faz isso. Mas foi meio desnecessário terem posto o trio pra tocar. Tudo tranquilo, pra ver o Paul tá valendo.
O show do Seu Macca tava marcado pras 21h. Nessa hora, o pessoal começou a brincar com a pontualidade britânica, e já foi chamando o cara. Não deu nem dez minutos, Sir Paul McCartney e sua banda entraram no palco do Gigante da Beira-Rio. Arrepiei. Aquilo era muito surreal. O gozado foi a forma como ele abriu o show, com um medley de músicas de sua carreira solo: “Venus / Rock Show / Jet”. Começou bem tranquilo, como se estivesse acalmando a plateia histérica com sua presença. “Jet” deu a senha pro público enlouquecer.
Paul deu uma verdadeira aula de como se fazer um grande show. Interagiu com o público, lendo um papel que continha frases em português com palavras-chave para fazer o público delirar. Mas foi bem além dos clássicos “Boa noite”, “Obrigado”, enfim, frases que todo artista estrangeiro fala no Brasil. O cara, além de soltar um “Obrigado, gaúchos” e “Obrigado, Brrrrasillll” (parecia o Kiko falando hehehe) que já levantaram a galera, avisou: “Hoje vou tentar falar português, mas vou falar mais em inglês”. Assim mesmo, em português. Imagino que ele faça esse tipo de coisa em todo o país que visita. Apenas uma das provas de o quanto McCartney se importa em estreitar o máximo possível a relação com as pessoas para quem está tocando.
“All My Loving” foi a primeira dos Beatles que ele mandou. A partir daí, foi revezando músicas da carreira solo e do quarteto de Liverpool. Não sou de emocionar por qualquer coisa, mas a presença de Paul McCartney e alguns momentos do show me derrubaram. O primeiro foi “Blackbird”, a belíssima canção do álbum branco dos Beatles, de 1968, executada exatamente como se ouve no disco: com Paul sozinho na voz e violão. Muitos dizem que entre Paul McCartney e John Lennon, Paul era o mais romântico e menos politizado. Porém, essa música mostra a preocupação dele com o preconceito racial no mundo, especialmente nos Estados Unidos – os conflitos raciais na época inspiraram a música. É o primeiro de alguns momentos mais intimistas do show. O coro do público acompanhando Paul e a serenidade do beatle nessa música arrepia. Impressionante.
A homenagem aos ex-companheiros de banda que já se foram também são momentos impressionantes. “Here Today”, da sua carreira solo, fala da falta que John Lennon faz em sua vida. Ele ainda seria homenageado com a baita música “A Day in the Life” (que não levantou muito a galera, mas eu achei docaraaaaaalho ele tocar essa música, uma das minhas favoritas dos Beatles), seguida de um dos hinos à paz de Lennon, “Give Peace a Chance”, com coro geral no Beira-Rio. Mas a homenagem mais emocionante pra mim foi para George Harrison. Paul começa a tocar “Something” sozinho no ukulele, arrepia e faz chorar na parte do “I don’t know, IIIIIIIIII dooooon’t know!”, e a banda entra junto no solo de guitarra. Ele ainda repete de novo a estrofe do meio, arrancando um coro impressionante do público. O cara tem a manha. E, convenhamos, George, mesmo não tendo tanto espaço para suas composições dentro de uma banda com outros dois gênios, conseguiu emplacar uma das músicas mais belas de toda a história.
Outros momentos geniais do show foram em algumas músicas solo de Paul, como “My Love” (“essa música eu escrevi para minha gatinha Linda, mas hoje ela é para todos os namorados”), “Band on the Run” (baaaaaaita música!) e “Live and Let Die” (com todos os fogos que tem direito, e público ensandecido – o Beira-Rio veio abaixo nessa música). “Hey Jude” e “Let it Be”, as duas baladas mais clássicas dos Beatles, pra mim já são um tanto manjadas, mas ao vivo é outra coisa: tu te empolga e vai junto, canta, filma o coro do Beira-Rio, afinal é o próprio cara que fez essas músicas que tá ali.
Outros momentos incríveis do show: “Get Back”, “Helter Skelter”, “Lady Madonna”. A cada música que Sir Paul tocava, eu pensava no quanto sou privilegiado de estar ali vendo tudo. Vez que outra, falava pra Milinha: “isso é incrível!”. E realmente, é de contar pros filhos, netos, bisnetos. Não é todo dia que se tem um beatle no quintal de casa.
Após fechar a noite com o medley “Sgt. Peppers / The End”, Paul deixou o público extasiado. O meu sentimento e de muitos fãs, ao caminhar pra fora do Gigante, foi de satisfação plena com o espetáculo de três horas que havia terminado, misturado a uma sensação de vazio, tipo “bah, acabou. Vou sentir saudade, Paul!”. E é bem por aí. Valeu muito a pena. Nunca vou esquecer esse dia. E agradeço todos os dias por termos tido no mundo Paul, John, George e Ringo. Esses quatro caras são iluminados. Valeu, Paul! Volte sempre. Quem sabe ano que vem o Ringo não se empolga e vem pra cá também...
Abraços!
Thalisustenido
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Um show incrível para cada mês – parte I
Algumas datas, meses, anos, ficam marcados na nossa memória por algum importante fato que acontece. Setembro de 1987, o mês em que nasci. Maio de 1994, desencarnam Ayrton Senna e do meu cachorro Gismo. Julho de 1994, Brasil tetra-campeão. Junho de 1997, Inter campeão gaúcho (primeiro título que eu assisti no Beira-Rio). Dezembro de 1999, ganho minha primeira bateria (uma Saema usada) de Natal e monto minha primeira banda, Stampido, com meu primo Rafael. Outubro de 2000, minha bisavó Lúcia desencarna. Junho de 2001, Marcelo Fromer dos Titãs desencarna e Rodolfo Abrantes sai do Raimundos. Setembro de 2001, atentado contra as torres gêmeas do World Trade Center. Fevereiro de 2003, assisto Marky Ramone ao vivo pela primeira vez monto minha primeira banda de punk rock, Dry Guts, com os amigos de colégio Guilherme e Emerson. Abril de 2003, meus pais se separam. Setembro de 2003, vejo dois baita shows: Ratos de Porão no Opinião e Kaiser Music com Deep Purple, Sepultura e Hellacopters no Gigantinho. Dezembro de 2003, vejo um dos melhores shows undergrounds da vida: Os Thompsons e Os ToRto na Croco. Dezembro de 2004, vejo a Graforréia Xilarmônica pela primeira vez ao vivo, a Dry Guts acaba e eu entro pra RIP 44. Dezembro de 2005, termino o Ensino Médio e faço meus primeiros shows com os Alcalóides e com a Chespiritos. Março de 2006, começo a fazer faculdade de Música no IPA. Maio de 2006, a RIP 44 acaba. Agosto de 2006, presencio o Inter ser campeão da América pela primeira vez. Outubro de 2006, vejo o NOFX ao vivo pela primeira vez. Dezembro de 2006, Inter campeão do Mundo. Junho de 2007, vejo o Inter ser campeão da Recopa e a Tommis Atacantes faz seu primeiro show. Outubro de 2007, começo a namorar a Milinha. Abril de 2008, meu avô Luciano e minha cadela Piririca desencarnam. Agosto de 2008, Milinha e eu assistimos pela primeira vez a um show do Rei Roberto Carlos. Novembro de 2008, começo a trabalhar como professor de música. Novembro de 2009, Milinha e eu vemos o show do Faith No More. Janeiro de 2010, me formo oficialmente no curso de Licenciatura em Música do IPA, Milinha e eu vemos o show do Metallica. Abril de 2010, começo a freqüentar as aulas da pós-graduação em Música: Ensino e Expressão, na Feevale e faço meu primeiro show com os Pop Rock All Stars. Maio de 2010, a Tommis Atacantes acaba. Junho de 2010, apresento junto com meus colegas de pós-graduação a “Ópera do Malandro” (foto abaixo). Julho de 2010, reencontro meus velhos amigos da escola, Guilherme e Julio, que me convidam e eu entro pra Larapia. Agosto de 2010, presencio o Inter ser bi-campeão da Libertadores. E isso é o que eu me lembrei agora de cabeça. Tem muito mais. Pois já posso acrescentar pra essa lista os meses de setembro, outubro e novembro com shows incríveis que assisti.
SETEMBRO DE 2010: TOY DOLLS
Sempre achei o Olga um cara genial. A influência que essa banda teve pra RIP 44 foi importantíssima. Pro punk rock em geral, eles mostraram que se pode tocar um som simples e ser um músico tecnicamente muito bom, mantendo um equilíbrio que não se vê em qualquer banda.
Foto: Mauro Schaefer, do Correio do Povo: http://www.correiodopovo.com.br/ArteAgenda/?Noticia=200365
O show foi memorável. A banda tem uma pegada incrível – ainda mais levando em conta os trinta anos de estrada nas costas – e o Opinião tava num clima muito bacana, com toda a galera cantando as músicas junto. “Nellie The Elephant”, “Idle Gossip”, “Harry Cross”, “Lambrusco Kid”, “She’s Goes to Finos”, “Dougy Giro”, “Wipe Out”, todas foram tocadas. Só senti falta de “Dig That Groove Baby” e “I’ve Got Ashma”, mas é aquela coisa: uma banda com um repertório tão vasto às vezes se vê obrigada a deixar alguns clássicos de fora do show. O momento, digamos, mais emocionante pra mim foi “Glenda and the Test Tube Baby”. Arrepiei. Pra mim essa é uma das melhores músicas do Toy Dolls, e ao vivo ela é ainda melhor. Mesmo que um cidadão sem-noção tenha invadido o palco e tropeçado no cabo do baixista Tom Goober, este fato aumentou o clima de farra pra festa dos “bonecas de brinquedo”. Enquanto o roadie arrumava o baixo, o músico não arregou: pegou o microfone, baixou o Sid Vicious e entoou o refrão junto com Olga, Mr. Duncan e o público: “Victooooooryyyyy, if Gleeendaaaa sheeeee, had aaaa baaaabyyyyy, ooooeeeee!!!” Baita show. Valeu a grana investida. Obrigado, Toy Dolls.
OUTUBRO DE 2010: GREEN DAY
Comprei o ingresso pra esse show com tanta antecedência que, perto do dia do concerto, nem me lembrava mais que o Green Day estaria em Porto Alegre. Não que eu não seja fã da banda. Mas estava ainda sob forte emoção de ter conseguido comprar ingresso pro show do Paul McCartney. Todavia, chegou o dia de ver o trio californiano, uma das bandas de que mais gosto, desde o surgimento deles na mídia, em 1994, com o baita álbum “Dookie”. Vieram outros ótimos discos de sucesso relevante até um novo estouro, a ópera-rock “American Idiot”, de 2004. A turnê atual é do disco “21st Century Breakdown”, mas pelo que eu já tinha lido, o show, de quase três horas, aborda músicas de todos os discos – inclusive dos dois primeiros lançados antes do sucesso de 94. A expectativa era grande.
Me surpreendi. Positivamente. Sabia que, há algum tempo, o show do Green Day tinha ares de circo, com pirotecnias e palhaçadas de Billie Joe, Mike Dirnt e Tré Cool. Porém, vendo aquilo tudo pessoalmente, é ainda mais doido do que na televisão. A banda entrou com as primeiras músicas do disco novo: “Song of the Century”, “21st Century Breakdown” e “Know The Enemy”, todas acompanhadas com precisão pela plateia, que obedecia a cada gesto de Billie Joe, este um verdadeiro maestro do rock, que sabe como conduzir um show.
Foto do Blog do Feras: http://blogdoferas.blogspot.com/2010/10/green-day-em-porto-alegre-show.html
Como fã das antigas, fiquei ainda mais empolgado no bloco “old school” que os caras fizeram na metade do show. “Going to Pasalacqua”, do disco “1039 / Smoothed Our Slappy Hours” (1991) e “2000 Light Years Away”, do disco “Kerplunk!” (1992), representaram a fase pré-sucesso comercial. De “Dookie” (1994), mandaram “Burnout” (grata surpresa!), “Longview” (esta com uma convidada da plateia, que mais gritou do que cantou, mas mesmo assim ganhou uma guitarra de presente de Billie Joe – “Vá estudar guitarra, pois como cantora você é terrível”, disse o vocalista, rindo), e as já esperadas “Basket Case”, “She” e “When I Come Around”, que levantaram verdadeiras rodas de pogo na pista do Gigantinho. Do “Insomniac” (1995), tocaram “Geek Stink Breath” e o medley “Brain Stew / Jaded”. De “Nimrod” (1997), foram executadas as três músicas mais famosas do disco: “Nice Guys Finish Last”, “Hitchin’ a Ride” e “Good Riddance (Time of your Life)”, esta última ao fim do show. Ah, sim, ainda rolou “Minority”, do disco “Warning” (2000).
O bloco final do show, com “American Idiot” e “Jesus of Suburbia” na sequência, e a finaleira com “Wake Me Up When September Ends” e a já citada “Time of your Life”, só deixou a certeza de que ali havia sido presenciado um dos melhores shows da história de Porto Alegre.
Gostaria de seguir falando, mas o post já está muito grande. Na próxima edição, tudo sobre a saga ao show de Sir Paul McCartney. Abraços!
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