NOVEMBRO DE 2010 – PAUL MCCARTNEY
Tinha pensado em fazer um post único sobre um grande show para cada mês, mas mudei de idéia. Além de ficar muito comprido, há que se destacar que beatle é beatle. O show do Paul McCartney com certeza merece um destaque exclusivo aqui. O show aconteceu no começo do mês, mas até hoje ainda fico viajando, lembrando de cenas do concerto, as falas do Paul, as músicas que ele tocou, a grande performance da banda, os perrengues que a Milinha e eu passamos até entrar no estádio, etc.
Pretendia sair de casa pro Beira-Rio de manhã. Porém, o calor extremo que fazia em Porto Alegre naquele domingo, 7 de novembro de 2010, do qual fui avisado por uma ligação do meu amigo Bruno Vargas, o Puff, (baita) baixista do Quarto Sensorial, fez com que déssemos um tempo antes de sair.
Que honra receber um beatle no estádio do meu time! Ao chegar ao Gigante, fiquei impressionado com a quantidade de gente que se amontoava em filas quilométricas e totalmente desorganizadas. Aliás, pra mim, foi o único ponto negativo em relação à organização do evento. As vendas dos ingressos foram tranqüilas, eu já havia comprado pela internet no mesmo dia que começaram as vendas, e pra retirar os ingressos no Gigantinho dias depois, também foi tudo relax. Mas, chegar na hora e não saber direito aonde tinha que ir para entrar, não haver nenhuma divisão, nenhuma placa, e quase nenhum funcionário designado para orientar as pessoas, foi uma erro crasso da produção. Rolou muito furo nas filas, só não houve nenhuma confusão grave, acredito eu, pela variedade da faixa etária do público. Tinha de tudo: gurizada nova, bebê no colo da mãe, adultos de vinte, trinta e poucos anos, quarentões, cinquentões, sessentões, enfim: desde aqueles que acompanharam a trajetória dos Beatles a partir do início da banda até quem descobriu a banda recentemente, por mídias que mantém o legado dos Beatles, como o espetáculo “Love” do Cirque Du Soleil, o filme “Across The Universe” ou o jogo de vídeo-game “Beatles Rock Band” – isso sem contar rádio, TV, internet, enfim: é impossível alguém não conhecer uma música sequer dos Beatles hoje em dia.
Depois de algum tempo na fila que dava volta no Gigantinho, conseguimos enfim subir a rampa 9, em direção à arquibancada superior do Beira-Rio. Sim, compramos os ingressos mais baratos. E vou dizer, não me arrependi. Tanto eu quanto a Milinha, temos estatura média-baixa e sempre que temos que ver um show na pista, em pé, é um sofrimento. Na arquibancada superior, até veríamos Paul mais de longe, mas pelo menos iríamos VÊ-LO! Hehehe
Não rolou a abertura com Kleiton e Kledir como o esperado. Disseram que foi por problemas técnicos que impediram que se montasse o palco deles sem interferir na estrutura do Paul. Pena. Teria sido bacana. Ao invés disso, botaram um DJ, um guitarrista e um saxofonista da noite porto-alegrense na fogueira. Não sou de vaiar banda de abertura, acho uma falta de respeito e até inveja por parte de quem faz isso. Mas foi meio desnecessário terem posto o trio pra tocar. Tudo tranquilo, pra ver o Paul tá valendo.
O show do Seu Macca tava marcado pras 21h. Nessa hora, o pessoal começou a brincar com a pontualidade britânica, e já foi chamando o cara. Não deu nem dez minutos, Sir Paul McCartney e sua banda entraram no palco do Gigante da Beira-Rio. Arrepiei. Aquilo era muito surreal. O gozado foi a forma como ele abriu o show, com um medley de músicas de sua carreira solo: “Venus / Rock Show / Jet”. Começou bem tranquilo, como se estivesse acalmando a plateia histérica com sua presença. “Jet” deu a senha pro público enlouquecer.
Paul deu uma verdadeira aula de como se fazer um grande show. Interagiu com o público, lendo um papel que continha frases em português com palavras-chave para fazer o público delirar. Mas foi bem além dos clássicos “Boa noite”, “Obrigado”, enfim, frases que todo artista estrangeiro fala no Brasil. O cara, além de soltar um “Obrigado, gaúchos” e “Obrigado, Brrrrasillll” (parecia o Kiko falando hehehe) que já levantaram a galera, avisou: “Hoje vou tentar falar português, mas vou falar mais em inglês”. Assim mesmo, em português. Imagino que ele faça esse tipo de coisa em todo o país que visita. Apenas uma das provas de o quanto McCartney se importa em estreitar o máximo possível a relação com as pessoas para quem está tocando.
“All My Loving” foi a primeira dos Beatles que ele mandou. A partir daí, foi revezando músicas da carreira solo e do quarteto de Liverpool. Não sou de emocionar por qualquer coisa, mas a presença de Paul McCartney e alguns momentos do show me derrubaram. O primeiro foi “Blackbird”, a belíssima canção do álbum branco dos Beatles, de 1968, executada exatamente como se ouve no disco: com Paul sozinho na voz e violão. Muitos dizem que entre Paul McCartney e John Lennon, Paul era o mais romântico e menos politizado. Porém, essa música mostra a preocupação dele com o preconceito racial no mundo, especialmente nos Estados Unidos – os conflitos raciais na época inspiraram a música. É o primeiro de alguns momentos mais intimistas do show. O coro do público acompanhando Paul e a serenidade do beatle nessa música arrepia. Impressionante.
A homenagem aos ex-companheiros de banda que já se foram também são momentos impressionantes. “Here Today”, da sua carreira solo, fala da falta que John Lennon faz em sua vida. Ele ainda seria homenageado com a baita música “A Day in the Life” (que não levantou muito a galera, mas eu achei docaraaaaaalho ele tocar essa música, uma das minhas favoritas dos Beatles), seguida de um dos hinos à paz de Lennon, “Give Peace a Chance”, com coro geral no Beira-Rio. Mas a homenagem mais emocionante pra mim foi para George Harrison. Paul começa a tocar “Something” sozinho no ukulele, arrepia e faz chorar na parte do “I don’t know, IIIIIIIIII dooooon’t know!”, e a banda entra junto no solo de guitarra. Ele ainda repete de novo a estrofe do meio, arrancando um coro impressionante do público. O cara tem a manha. E, convenhamos, George, mesmo não tendo tanto espaço para suas composições dentro de uma banda com outros dois gênios, conseguiu emplacar uma das músicas mais belas de toda a história.
Outros momentos geniais do show foram em algumas músicas solo de Paul, como “My Love” (“essa música eu escrevi para minha gatinha Linda, mas hoje ela é para todos os namorados”), “Band on the Run” (baaaaaaita música!) e “Live and Let Die” (com todos os fogos que tem direito, e público ensandecido – o Beira-Rio veio abaixo nessa música). “Hey Jude” e “Let it Be”, as duas baladas mais clássicas dos Beatles, pra mim já são um tanto manjadas, mas ao vivo é outra coisa: tu te empolga e vai junto, canta, filma o coro do Beira-Rio, afinal é o próprio cara que fez essas músicas que tá ali.
Outros momentos incríveis do show: “Get Back”, “Helter Skelter”, “Lady Madonna”. A cada música que Sir Paul tocava, eu pensava no quanto sou privilegiado de estar ali vendo tudo. Vez que outra, falava pra Milinha: “isso é incrível!”. E realmente, é de contar pros filhos, netos, bisnetos. Não é todo dia que se tem um beatle no quintal de casa.
Após fechar a noite com o medley “Sgt. Peppers / The End”, Paul deixou o público extasiado. O meu sentimento e de muitos fãs, ao caminhar pra fora do Gigante, foi de satisfação plena com o espetáculo de três horas que havia terminado, misturado a uma sensação de vazio, tipo “bah, acabou. Vou sentir saudade, Paul!”. E é bem por aí. Valeu muito a pena. Nunca vou esquecer esse dia. E agradeço todos os dias por termos tido no mundo Paul, John, George e Ringo. Esses quatro caras são iluminados. Valeu, Paul! Volte sempre. Quem sabe ano que vem o Ringo não se empolga e vem pra cá também...
Abraços!
Thalisustenido

O melhor show da minha vida! ;DDD
ResponderExcluirBeijos, Milinha.