Algumas datas, meses, anos, ficam marcados na nossa memória por algum importante fato que acontece. Setembro de 1987, o mês em que nasci. Maio de 1994, desencarnam Ayrton Senna e do meu cachorro Gismo. Julho de 1994, Brasil tetra-campeão. Junho de 1997, Inter campeão gaúcho (primeiro título que eu assisti no Beira-Rio). Dezembro de 1999, ganho minha primeira bateria (uma Saema usada) de Natal e monto minha primeira banda, Stampido, com meu primo Rafael. Outubro de 2000, minha bisavó Lúcia desencarna. Junho de 2001, Marcelo Fromer dos Titãs desencarna e Rodolfo Abrantes sai do Raimundos. Setembro de 2001, atentado contra as torres gêmeas do World Trade Center. Fevereiro de 2003, assisto Marky Ramone ao vivo pela primeira vez monto minha primeira banda de punk rock, Dry Guts, com os amigos de colégio Guilherme e Emerson. Abril de 2003, meus pais se separam. Setembro de 2003, vejo dois baita shows: Ratos de Porão no Opinião e Kaiser Music com Deep Purple, Sepultura e Hellacopters no Gigantinho. Dezembro de 2003, vejo um dos melhores shows undergrounds da vida: Os Thompsons e Os ToRto na Croco. Dezembro de 2004, vejo a Graforréia Xilarmônica pela primeira vez ao vivo, a Dry Guts acaba e eu entro pra RIP 44. Dezembro de 2005, termino o Ensino Médio e faço meus primeiros shows com os Alcalóides e com a Chespiritos. Março de 2006, começo a fazer faculdade de Música no IPA. Maio de 2006, a RIP 44 acaba. Agosto de 2006, presencio o Inter ser campeão da América pela primeira vez. Outubro de 2006, vejo o NOFX ao vivo pela primeira vez. Dezembro de 2006, Inter campeão do Mundo. Junho de 2007, vejo o Inter ser campeão da Recopa e a Tommis Atacantes faz seu primeiro show. Outubro de 2007, começo a namorar a Milinha. Abril de 2008, meu avô Luciano e minha cadela Piririca desencarnam. Agosto de 2008, Milinha e eu assistimos pela primeira vez a um show do Rei Roberto Carlos. Novembro de 2008, começo a trabalhar como professor de música. Novembro de 2009, Milinha e eu vemos o show do Faith No More. Janeiro de 2010, me formo oficialmente no curso de Licenciatura em Música do IPA, Milinha e eu vemos o show do Metallica. Abril de 2010, começo a freqüentar as aulas da pós-graduação em Música: Ensino e Expressão, na Feevale e faço meu primeiro show com os Pop Rock All Stars. Maio de 2010, a Tommis Atacantes acaba. Junho de 2010, apresento junto com meus colegas de pós-graduação a “Ópera do Malandro” (foto abaixo). Julho de 2010, reencontro meus velhos amigos da escola, Guilherme e Julio, que me convidam e eu entro pra Larapia. Agosto de 2010, presencio o Inter ser bi-campeão da Libertadores. E isso é o que eu me lembrei agora de cabeça. Tem muito mais. Pois já posso acrescentar pra essa lista os meses de setembro, outubro e novembro com shows incríveis que assisti.
SETEMBRO DE 2010: TOY DOLLS
Sempre achei o Olga um cara genial. A influência que essa banda teve pra RIP 44 foi importantíssima. Pro punk rock em geral, eles mostraram que se pode tocar um som simples e ser um músico tecnicamente muito bom, mantendo um equilíbrio que não se vê em qualquer banda.
Foto: Mauro Schaefer, do Correio do Povo: http://www.correiodopovo.com.br/ArteAgenda/?Noticia=200365
O show foi memorável. A banda tem uma pegada incrível – ainda mais levando em conta os trinta anos de estrada nas costas – e o Opinião tava num clima muito bacana, com toda a galera cantando as músicas junto. “Nellie The Elephant”, “Idle Gossip”, “Harry Cross”, “Lambrusco Kid”, “She’s Goes to Finos”, “Dougy Giro”, “Wipe Out”, todas foram tocadas. Só senti falta de “Dig That Groove Baby” e “I’ve Got Ashma”, mas é aquela coisa: uma banda com um repertório tão vasto às vezes se vê obrigada a deixar alguns clássicos de fora do show. O momento, digamos, mais emocionante pra mim foi “Glenda and the Test Tube Baby”. Arrepiei. Pra mim essa é uma das melhores músicas do Toy Dolls, e ao vivo ela é ainda melhor. Mesmo que um cidadão sem-noção tenha invadido o palco e tropeçado no cabo do baixista Tom Goober, este fato aumentou o clima de farra pra festa dos “bonecas de brinquedo”. Enquanto o roadie arrumava o baixo, o músico não arregou: pegou o microfone, baixou o Sid Vicious e entoou o refrão junto com Olga, Mr. Duncan e o público: “Victooooooryyyyy, if Gleeendaaaa sheeeee, had aaaa baaaabyyyyy, ooooeeeee!!!” Baita show. Valeu a grana investida. Obrigado, Toy Dolls.
OUTUBRO DE 2010: GREEN DAY
Comprei o ingresso pra esse show com tanta antecedência que, perto do dia do concerto, nem me lembrava mais que o Green Day estaria em Porto Alegre. Não que eu não seja fã da banda. Mas estava ainda sob forte emoção de ter conseguido comprar ingresso pro show do Paul McCartney. Todavia, chegou o dia de ver o trio californiano, uma das bandas de que mais gosto, desde o surgimento deles na mídia, em 1994, com o baita álbum “Dookie”. Vieram outros ótimos discos de sucesso relevante até um novo estouro, a ópera-rock “American Idiot”, de 2004. A turnê atual é do disco “21st Century Breakdown”, mas pelo que eu já tinha lido, o show, de quase três horas, aborda músicas de todos os discos – inclusive dos dois primeiros lançados antes do sucesso de 94. A expectativa era grande.
Me surpreendi. Positivamente. Sabia que, há algum tempo, o show do Green Day tinha ares de circo, com pirotecnias e palhaçadas de Billie Joe, Mike Dirnt e Tré Cool. Porém, vendo aquilo tudo pessoalmente, é ainda mais doido do que na televisão. A banda entrou com as primeiras músicas do disco novo: “Song of the Century”, “21st Century Breakdown” e “Know The Enemy”, todas acompanhadas com precisão pela plateia, que obedecia a cada gesto de Billie Joe, este um verdadeiro maestro do rock, que sabe como conduzir um show.
Foto do Blog do Feras: http://blogdoferas.blogspot.com/2010/10/green-day-em-porto-alegre-show.html
Como fã das antigas, fiquei ainda mais empolgado no bloco “old school” que os caras fizeram na metade do show. “Going to Pasalacqua”, do disco “1039 / Smoothed Our Slappy Hours” (1991) e “2000 Light Years Away”, do disco “Kerplunk!” (1992), representaram a fase pré-sucesso comercial. De “Dookie” (1994), mandaram “Burnout” (grata surpresa!), “Longview” (esta com uma convidada da plateia, que mais gritou do que cantou, mas mesmo assim ganhou uma guitarra de presente de Billie Joe – “Vá estudar guitarra, pois como cantora você é terrível”, disse o vocalista, rindo), e as já esperadas “Basket Case”, “She” e “When I Come Around”, que levantaram verdadeiras rodas de pogo na pista do Gigantinho. Do “Insomniac” (1995), tocaram “Geek Stink Breath” e o medley “Brain Stew / Jaded”. De “Nimrod” (1997), foram executadas as três músicas mais famosas do disco: “Nice Guys Finish Last”, “Hitchin’ a Ride” e “Good Riddance (Time of your Life)”, esta última ao fim do show. Ah, sim, ainda rolou “Minority”, do disco “Warning” (2000).
O bloco final do show, com “American Idiot” e “Jesus of Suburbia” na sequência, e a finaleira com “Wake Me Up When September Ends” e a já citada “Time of your Life”, só deixou a certeza de que ali havia sido presenciado um dos melhores shows da história de Porto Alegre.
Gostaria de seguir falando, mas o post já está muito grande. Na próxima edição, tudo sobre a saga ao show de Sir Paul McCartney. Abraços!



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