Final de semana agitadíssimo com comemoração do meu aniversário (23 primaveras) que incluiu apresentação dos alunos do projeto Abrindo Horizontes nas festividades do aniversário da Casa de Cultura Mário Quintana, mais um reencontro alcalóide (André, Guto, Julia, Ramiro e eu relembramos pelo menos umas quinze músicas dos alca, e ainda ficou um monte coisa de fora por falta de tempo) e um trago básico na Cidade Baixa pra fechar a noite. Mas ainda tinha o domingo, pra fechar com chave de ouro. E me mandei pro Gigante da Beira-Rio.
Meu pai, o cunhado dele e o filho, meu irmão mais novo e eu fomos assistir Internacional e Corinthians duelarem em um dos jogos mais emocionantes da história do futebol. Daqueles de ficar na memória, que a gente conta pros filhos e depois pros netos. Já fico me imaginando daqui a alguns anos, contando como foi, como se estivesse narrando quase ao vivo os acontecimentos daquela tarde.
“Pois então, _________ (inserir aqui nome do(a) filho(a)). No dia 26 de setembro de 2010, teu pai presenciou um dos melhores jogos de todos os tempos. Nosso Inter tem um histórico de rivalidade com o Corinthians desde 1976, quando vencemos o Brasileirão em cima deles. Na campanha do nosso título da Copa do Brasil em 1992, passamos por eles em uma das fases, com goleada de 4 a 0 em pleno Pacaembu, acredita? Pois em 2005, nos roubaram um título brasileiro. Uma história triste que prefiro nem contar com detalhes agora, mas o título ficou com eles. E em 2009, nos venceram uma Copa do Brasil dentro do nosso estádio. Eu estive lá, fiquei triste, mas sabia que o futuro reservava boas coisas pro nosso Colorado.
Antes deste 26 de setembro de 2010, havíamos conquistado grandes títulos que incluíam 39 Gauchões, 3 Brasileiros, 1 Copa do Brasil, 1 Recopa Sul-Americana, 1 Copa Sul-Americana, 2 Libertadores e 1 Mundial. Houve muitas partidas épicas. Esta, contra nossos rivais paulistas, não era final de campeonato nem mata-mata. Mas foi jogada e assistida como se fosse. Cheguei ao Beira-Rio faltando pouco mais de uma hora para o início da partida. Instalei-me na arquibancada inferior, perto da mureta, no canto direito das cabines de imprensa, ao lado das torcidas coloradas Camisa 12 e Guarda Popular – que infelizmente, não se entendem. Cada uma canta uma música diferente. Talvez um dia ambas resolvam deixar as diferenças de lado e cantar juntas apenas em prol do Internacional. Antes do jogo, os goleiros entraram em campo para aquecer. Aplausos e gritos de incentivo para o titular Renan e o reserva de luxo, o argentino multi-campeão e pé-quente Pato Abbondanzieri, além do nosso eterno goleirão, o treinador de goleiros Clemer, que neste dia foi condecorado cidadão honorário de Porto Alegre, por serviços prestados à comunidade. E que serviços!
Enfim, os times e o trio de arbitragem entram em campo. Festa para o Rolo Compressor. Vaias antecipadas para o juiz e o time paulista. Quando o alto-falante e o telão anunciam as escalações, aplausos e gritos para todo o time colorado e o técnico Celso Roth. Vaias no anúncio do time do Corinthians – com exceção do Iarley, outra grande figura dos nossos títulos de 2006 e 2007 – e muuuitas vaias pro técnico Adílson Baptista. Hinos no alto-falante – e uma certa vergonha alheia pelo fato de a torcida atropelar o hino nacional cantando o hino rio-grandense. Sou gaúcho e colorado, mas também sou brasileiro. Enfim...
Começa o jogo. Disputado. O Inter melhor, mas o Corinthians é abusado. Depois de alguns lançamentos de perigo e alguns impedimentos, nosso meio-campo acerta o toque e o passo. Tabela rápida entre D’Alessandro e Tinga e o predador colorado adentra a área corintiana livre, dá um toquinho rasteiro e a galera vai à loucura. Gol do Inter! 1 a 0. Logo, má notícia. Tinga sentiu dor muscular e teve que sair do jogo. Edu, que vinha tentando se firmar no time, entrou. E, ao contrário de tantas outras atuações apagadas, buscou jogo junto a D’Alessandro, Giuliano e os laterais Nei e Kleber. O Inter seguia jogando bem, mas começou a dar espaços pro Corinthians, que assustou em chutes de Jorge Henrique – boa defesa de Renan – e Bruno César – cobrança de falta no travessão. Termina o primeiro tempo.
Segundo tempo. Nervoso, mas com o Inter buscando jogo. Leandro Damião, que ainda não havia participado muito da partida, arriscou uma lambretinha pra cima do jogador da Seleção Jucilei. A jogada não deu em nada, mas levantou a torcida. Até Guiñazu, nosso guerreiro, que nunca chuta a gol, quase meteu um golaço de fora da área, sendo muito aplaudido. Lá pelas tantas, nosso volante, Glaydson, que mesmo não sendo craque nem ídolo vinha jogando bem, falhou. Comeu mosca com a bola nos pés no meio de campo, três corintianos deram o bote e lhe roubaram a bola. No contra-ataque, Jorge Henrique recebeu um passe açucarado pelo alto e tocou com estilo, sem chances pro Renan. Belo gol. 1 a 1. Aliás, esse cara tem histórico de fazer gol no Inter. Tá loco... Nervos à flor da pele, torcida adversária se empolgando, torcida da casa cantando e incentivando o time. O Corinthians quase vira, mas Bruno César manda a bola na trave outra vez. Percebendo as dificuldades pela qual passávamos, nosso técnico Celso Roth muda o time. Tira Leandro Damião – que, apesar de ter jogado bem a maioria dos jogos em que foi titular, neste dia estava sem inspiração – e bota Alecsandro, que voltava depois de 45 dias parado por lesão muscular. Tira também Giuliano – outro grande jogador colorado que não estava conseguindo contribuir tanto quanto poderia – e põe Andrezinho, que tem histórico de decidir jogos no segundo tempo.
E não é que deu certo? O Andrezinho fez um cruzamento meia-boca, mas que o zagueiro adversário cortou torto e cedeu escanteio. No desenrolar do lance seguinte, D’Alessandro chamou os corintianos pro baile e mandou um cruzamento cirúrgico na área, que ninguém alcançou, exceto ele: Alecsandro. De peixinho, o artilheiro, tantas vezes contestado, venceu o goleiro Júlio César. Gol do Inter! 2 a 1. Festa na arquibancada. Logo em seguida, o centroavante quase ampliou, mas o goleiro deles tava ligado e salvou. No final da jogada, Edu, de voleio, por pouco não marcou um golaço. Torcida empolgada.
O jogo se encaminhava extremamente tenso pro final. O Corinthians pressionava, o Inter não conseguia tranqüilizar o toque de bola. Agora, uma coisa eu não entendo. Gente que sai do estádio antes do fim, com o placar indefinido. A não ser que haja um bom motivo, pagar ingresso e sair do jogo sem ver o final é um desperdício. E tinha gente saindo. Até me lembrei do grito clássico: “já vai, secador?!” Pois estas pessoas que saíram antes dos 45 minutos perderam um final antológico de um grande jogo.
43 minutos. Bolo na área do Inter. O Renan tenta buscar a bola no meio do entrevero. Não consegue. Paulo André cabeceia. A bola vai em direção ao gol. Até que... Nei, nosso lateral-direito que vinha jogando muito bem, num lance de desespero, fez uma defesa fantástica com a mão, tocando a bola pra fora. Mas, como ele não é goleiro, mão na bola dentro da área é pênalti. O juiz expulsou o cara, que saiu aplaudido pela massa colorada. Tensão no Beira-Rio. A torcida grita “Renan! Renan!”. Bruno César vai pra bola...e acerta. Gol do Corinthians. 2 a 2 aos 45 minutos do segundo tempo. Mãos na cabeça. E agora? Não acredito que não vamos conseguir vencer deles, comentei com meu pai. Mas, como dizem por aí, só acaba quando termina...
O juiz dá mais 4 minutos de acréscimo. O Corinthians vai pra cima. Renan segura a bola e manda pro ataque. É a nossa chance. Alecsandro faz grande jogada, dando chapéu no William e tirando Paulo André do lance, que o acerta com um chute criminoso na entrada da área. Falta clara. O juiz marca, e expulsa o infrator corintiano. Andrezinho e D’Alessandro vão pra bola, e a torcida grita “Vamo, vamo Inter”, como em 2006. Tudo parece parar nesse momento. Um segundo, uma bola que desvia no meio do caminho, uma trave que encosta a dita cuja pro fundo da rede. Um goleiro desolado. Uma torcida enlouquecida. Um jogador que definitivamente é o herói dos momentos finais. Andrezinho: Gol do Inter!!! 3 a 2, no último lance do jogo. Nunca vibrei tanto em um gol que não fosse de título. O jogo acabou logo em seguida e parecia que havíamos ganho um campeonato. Na verdade, ganhamos. O campeonato da honra, a vitória brava, suada e merecida, de um time que nunca desiste, e, apoiado por uma torcida apaixonada, luta até o fim. Um jogo pra ficar na história.”
Fotos por Alexandre Lops - http://www.internacional.com.br
Montagem por Thalis Neckel Miguel
Melhores momentos do jogo na Globo: http://www.youtube.com/watch?v=v63AikbT8Dg
Abraços!
Thalisustenido
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