Lá se foi mais um final de semana, setembro acabou, já estamos no quarto dia de outubro. Muitas coisas, muita correria, muito a pensar, muito a fazer, e seria legal se o dia tivesse algumas horas a mais.
Sábado: Beira-Rio. Fui mais cedo pra conferir a gurizada jogar contra o Flamengo pelo Brasileirão Sub-23. É engraçado ver estes jogos preliminares (aliás, eu não via um há muitos anos), pois o estádio tá meio vazio ainda e dá pra ouvir os gritos de todo mundo - jogadores, juiz, treinadores, torcedores, etc. O time até que é bom. Alguns ali de vez em quando integram o grupo principal: Oscar, Eduardo Sasha (que apelido bem tosco), Marquinhos, Muriel, Guto. E tem o tal do Lucas Roggia, que tem bola pra fazer parte do time ano que vem. Ganhamos de 1 a 0. O que me deu uma certa irritação foi a cornetagem de parte da torcida, tanto no jogo preliminar quanto na partida principal, Internacional e Guarani. Tem gente que acha que o time vai jogar superbem todos os jogos. Que desfalques por lesão ou suspensão, que causam a mudança na escalação em todos os jogos, não vão surtir efeito na atuação do time. E aí, soma-se isto a falta de gols no primeiro tempo e alguns lances de perigo do adversário, os cornetas tem que vaiar, xingar até o Giuliano, chamar o D'Alessandro de pipoqueiro e o Roth de burro. Isso aí, gente esperta. Grande atitude, grande apoio vocês estão dando. Depois reclamam que os jogadores foram comemorar somente atrás do gol, onde fica a Popular, quando vencemos a Libertadores esse ano, ao invés de fazer volta olímpica. Me lembro que fiquei chateado naquele momento porque eu estava em outro local do estádio e não vi os jogadores com a taça na minha frente. Mas agora compreendo a atitude deles. Criticados o ano inteiro por uma parcela da torcida, deve doer, deve magoar mesmo. E quem estava o tempo dando força, empurrando o time pra vitória? A galera que se concentra atrás do gol. O que aliás, é motivo para outro debate importante para os colorados.
Vou ao Beira-Rio desde 1994. Na época de vacas magras, quem empurrava o time e contagiava toda a torcida com as músicas de apoio ao Colorado era a Camisa 12, que ficava bem atrás do gol e era composta por um número enorme de torcedores. Era muito afudê. Com certeza, a 12 foi importantíssima durante aqueles difíceis anos em que ganhar Gauchão e Gre-Nal era o máximo que conseguíamos. Com o passar dos anos, a Camisa 12 foi perdendo força, espaço e adeptos dentro do estádio. No início do século XVI, foi surgindo aos poucos um novo movimento de torcedores. Com a extinção da Coréia, em 2004, se criou a Popular, torcida dita não-organizada, ao estilo das barra-bravas espalhadas pela América Latina. O fortalecimento veio mesmo no fim de 2005, com o Inter perdendo o Brasileirão na roubalheira. A Guarda Popular foi decisiva em 2006, quando vencemos nossa primeira Libertadores. E desde então é a torcida mais expressiva do Inter, ocupando o espaço que a 12 ocupava antigamente. O problema é que, todo jogo é a mesma coisa: a Popular canta uma música, a Camisa 12 canta outra, os ritmos se atropelam, e quem está por perto (ou pior, no meio das duas como eu já fiquei algumas vezes - a "faixa de Gaza" do Beira-Rio) quase sempre se perde por não saber qual música cantar. É uma bagunça. Raras foram as vezes em que a 12 acompanhou a Popular (o clássico "Minha Camisa Vermelha" já conseguiu unir as duas torcidas em alguns momentos decisivos).
Respeito as duas torcidas por sua história, sua importância e seu engajamento para apoiar o Internacional no estádio, mas fico puto da cara quando vejo que muita gente que situa-se mais longe das torcidas fica meio perdida na hora de acompanhar alguma música. Fora a Nação Independente que tem número ainda menor de integrantes e fica mais perto da torcida adversária. Se essas três torcidas se unissem para cantar SEMPRE JUNTAS, o som seria muito mais forte e todo o estádio poderia acompanhar. Claro, pra que isso acontecesse, as lideranças teriam que conversar muito - e numa boa - e selecionar um repertório que exaltasse somente o SPORT CLUB INTERNACIONAL, visto que parte das músicas falam somente das torcidas. Creio que, se a intenção do torcedor que vai ao estádio é apoiar seu time, não vejo porque haver desunião como essa dentro do Gigante. Há que se deixar o orgulho de lado e juntar todo mundo numa torcida só, a TORCIDA COLORADA. Senão fica que nem partido político, cheio de vertentes, grupinhos fechados e briga de egos. Sonho com o dia em que o Beira-Rio será um só. Se do jeito que é, já é um caldeirão, imagina se juntasse todas as torcidas.
Resumo da ópera no jogo: o "burro" Roth mais uma vez teve estrela e calou a boca dos cornetas ao botar em campo dois jogadores que fizeram os primeiros gols: Daniel e Glaydson. E Giuliano, sempre ele, recebeu passe de Alecsandro e fechou a conta. Vão vaiar agora, secadores? Inter 3, Guarani 0. Apesar do placar, não foi um jogo fácil. Tem sido recorrente nos jogos do Colorado: contra times médios ou pequenos (com todo respeito ao Guarani que tem um passado glorioso, mas só agora começa a se reerguer) não consegue jogar bem, pois o adversário vem fechado e dificulta as coisas. Contra time grande, joga de igual pra igual, com os dois times abertos buscando a vitória. Jogando deste jeito conseguimos grandes vitórias em excelentes atuações como o 3 a 1 sobre o São Paulo no Morumbi e o 3 a 2 sobre o Corinthians no Beira-Rio. Se o time jogasse por música sempre, já seríamos líderes. Mas sabemos que não é assim. Todo time oscila em algum momento, por isso o Brasileirão tem sido cada ano mais disputado.
1º turno encerrado nas Eleições. Como eu esperava, deu Tarso direto aqui no RS. Sempre gostei dele, espero que faça um bom governo. Se não se envolver com escândalos de corrupção, procurar ter uma boa relação com os professores gaúchos e investir na saúde, já é meio caminho andado. Na eleição presidencial, o 2º turno deve pegar fogo. Que não haja baixaria e não façam o povo de palhaço, pois o brasileiro já deu seu sinal de protesto (com alguns toques de burrice e voto jogado fora): elegeu o palhaço-mor, Tiririca, o deputado mais votado do país. “Pior do que tá não fica”. Segundo a Lei de Murphy, sempre pode ficar pior. E a gente vai levando...
Ah, pra finalizar: agenda miguelística! Pra quem não sabe, eu toco bateria na banda Pop Rock All Stars, que é um projeto da Rádio Pop Rock (FM 107.1) em parceria com o bar Long Play. Neste projeto, quatro comunicadores da rádio tocam: Arthur de Faria (teclado, acordeom, bandolim, etc.), Bivis (guitarra), Oliver Cabeludo (baixo, guitarra, teclado) e Paulo Inchauspe (guitarra, baixo, violão). Eu, Thalis, sou o baterista convidado. Toda quinta-feira nós tocamos no Long Play e recebemos como convidado algum artista da música gaúcha. Já passaram pelo projeto, nesta ordem: Frank Jorge (Graforréia Xilarmônica), Wander Wildner, Mano Changes (Comunidade Nin-Jitsu), Duda Calvin (Tequila Baby), Tonho Crocco, Fabrício Beck (Vera Loca), Erico (doyoulike?), Zé Natálio e Pezão (Papas da Língua), Nei Van Soria, Hique Gomez (Tangos e Tragédias), Tchê Gomes (TeNenTe Cascavel e The Polainas) e Gaby (The Polainas), Paulo James e Alexandre Móica (Acústicos & Valvulados), Julia Barth (Os Replicantes e Os Alcalóides), Lucas Cabelo (Identidade) e Luciano Preza (Cartolas), Rafael Malenotti (Acústicos & Valvulados), Adriana Deffenti, Gabriel Azambuja e Rodolfo Kruger (Cachorro Grande), César Oliveira e Rogério Melo, Luciano Albo (TeNenTe Cascavel), Bebeto Alves, Jacques Maciel (Rosa Tattooada), Cris e Fly (Tópaz), Alemão Ronaldo, e na última quinta, Ernesto Fagundes. A agenda de outubro já está disponível e terá: Rafa e Sander, da Chimarruts, dia 07; Fernando Noronha, dia 14; Julio Reny, dia 21; e Nando Endres, da Comunidade Nin-Jitsu, dia 28. Convido todos a comparecerem ao Long Play (Sarmento Leite, 880, Cidade Baixa – Porto Alegre, RS) e assistir aos shows, que têm sido bem divertidos.
Canal do Long Play no You Tube com trechos dos shows que rolam por lá (incluindo o Pop Rock All Stars): http://www.youtube.com/user/longplaybar
Abraços a todos!
Thalisustenido

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